A

B

C

D

E

F

G

H

I

J

K

L

M

N

O

P

R

S

T

U

V

W

X

Y

Z


O ator americano Farley Earle Granger, conhecido por seus papéis em filmes do cineasta Alfred Hitchcock, nasceu em San Jose (Califórnia) em 1º de julho de 1925. Interpretou personagens de destaque em filmes de Hitchcock como "Festim Diabólico" (1948) e "Pacto Sinistro" (1951). Seu primeiro filme foi "The North Star" (1943), e além de trabalhar com o cineasta britânico nesses filmes, participou de outros como "Amarga Esperança" (1949) e "Side Street" (1950). Entre seus amigos estavam grandes figuras de Hollywood dos anos 1950, como Gene Kelly, Judy Garland, Leonard Bernstein e Frank Sinatra, relata a Variety, que indica que um amigo do ator, Steve Bassett, comunicou seu falecimento.

Sua família, apesar de rica, sofreu com a quebra da Bolsa de Valores de 1929 e acabou vendendo todos os seus bens. Granger se mudou com os pais para Hollywood. Seu primeiro filme foi "The North Star", em 1943. Hitchcock descobriu o ator ao assistir em uma sessão privada a atuação de Granger em Amarga Esperança, de Nicholas Ray, que havia sido rodado em 1947. Depois de fazer "Sedução da Carne" de Luchino Visconti na Europa, em 1954, Granger se afastou de Hollywood, processo que não teve volta quando ele assumiu publicamente que era gay. No final de sua carreira, Granger participou de diversas peças na Broadway, incluindo "The Seagull" e "Deathtrap". Em 1986, ganhou o prêmio Obie por sua performance na peça "Talley and Son".

Em uma carreira de várias décadas, Farley talvez seja mais conhecido por dois trabalhos com Alfred Hitchcock, "Festim Diabólico" em 1948 e "Pacto Sinistro", em 1951. Os três rapazes do filme "Festim Diabólico" eram nitidamente gays, mas, nas inúmeras reuniões com Hitchcock, em nenhum momento a palavra homossexualismo foi pronunciada em relação ao filme. Granger teve um romance com Arthur Laurents e os dois decidiram morar juntos. No passado, já houvera o precedente de Cary Grant e Randolph Scott, mas, em 1948, homens dividindo os aventais ainda não era coisa que se assumisse. Por isso, quando saíam à noite, os dois se faziam acompanhar por amigas atrizes: assim, para todos os efeitos, Laurents estava ?saindo? com Geraldine Brooks e Farley, com Shelley Winters.

O pai de Farley era um rico dono de uma concessionária Willys-Overland, e a família costumava veranear em sua casa de praia em Capitola. Após a queda do mercado acionário em 1929, o Grangers foram obrigados a vender a maioria dos seus pertences e se mudam para um apartamento em cima do negócio de família, onde permaneceram durante os dois anos seguintes. Como resultado deste revés financeiro e da perda de seu status social, os pais de Granger começam a beber. Eventualmente, o restante de seus bens são vendidos em leilão para saldar as dívidas, e o pai usa o último carro do lote para viajar com a família para Los Angeles no meio da noite.

Nessa ocasião, Farley tenta a vida atística na meca do cinema. Faz um teste para o produtor Goldwyn, a roteirista Lillian Hellman, e o diretor Lewis Milestone. Hellman estava tentando convencer Montgomery Clift a abandonar uma peça da Broadway onde atuava, e quando seus esforços revelam-se inúteis, o papel é dado a Granger, e ele então assina um contrato com Goldwyn por sete anos, por US$ 100 por semana. Granger trabalhou com diretores como Vincente Minnelli, em "A História de Três Amores", e em 1954 participou de "Sedução da Carne", de Luchino Visconti, que foi rodado na Itália, além de ter atuado em séries de sucesso dos anos 1960 e de espetáculos da Broadway.

Não faz muito tempo, em 2008, Farley publicou sua autobiografia "Me Out: My Life from Goldwyn to Broadway", onde assumia sua homossexualidade. O livro é coassinado por Robert Calhoun, parceiro de Granger, produtor de TV com quem ele vivia desde os anos 60. Quem espera encontrar histórias sobre os bastidores, preparação e relação dos atores com Alfred Hitchcock, esqueça. Farley Granger gasta míseras 9 páginas das 244 do livro para contar sobre os momentos hollywoodianos mais importantes de sua carreira. Afinal, não fosse pelo público espectador destes filmes, Granger nem motivos teria para a publicação de uma autobiografia. Ele compensa ao descrever bem sua estadia na Itália, a relação da equipe com Luchino Visconti, seus jantares e intrigas. Poderíamos dizer que boa parte de "Include Me Out" é destinada a relatar sua longa amizade com a atriz Shelley Winters e aos jantares os quais já participou.

Muito jovem, Granger foi contratado por um dos poucos (e maiores) produtores independentes de Hollywood, Samuel Goldwyn (aquele que é o G em MGM), que o lançou como astro e o manteve em filmes importantes (no estúdio ou emprestando para outros lugares). Bobamente, ele se rebelou e chegou a pagar para sair do contrato e tentou uma carreira sozinho que nunca deu certo. A maior besteira sua foi fugir justamente da proteção de um produtor, sozinho não fez nada de importante nem na Broadway (o título do livro é mais fantasia dele) tendo que ir para a Itália rodar filmes menores (mas esteve no primeiro dos Trinitys como o vilão). A verdade é que Farley hoje em retrospecto tinha um tipo frágil e reparando bem era visível sua opção sexual. Um dos últimos trabalhos de Farley Granger nas telas é o documentário "The Celluloid Closet", de 1995, que aborda justamente a homossexualidade em Hollywood.

O público da época era mais ingênuo e não dizia nada, mas os únicos papéis onde realmente deu certo foram justamente ambíguos, ambos sob a direção de Alfred Hitchcock em "Pacto Sinistro" (Strangers on a Train, 1951), onde Robert Walker lhe paquera e propõe um crime e já antes disso como parte de um dupla assassina em "Festim Diabólico', 1948. São os dois clássicos de sua carreira. Esteve também como astro do primeiro filme de Nicholas Ray, o hoje cult, "Amarga Esperança". Largou também Goldwyn porque nos anos 50 a revista Confidential, a primeira especializada em escândalos, ameaçou tirá-lo do armário. Na vida particular teve um longo romance com o roteirista de West Side Story e ainda vivo hoje diretor da Broadway, Arthur Laurents, e desde 1980, viveu com Robert Calhoun. Farley Granger, um ícone do movimento gay em Hollywood, faleceu em 27 de março de 2011 em sua casa de Nova York aos 85 anos e por causas naturais.


Filmografia
1943: A Estrela do Norte (The North Star)
1944: Mais Forte Que a Vida (The Purple Heart)
1947: Amarga Esperança (They Live by Night)
1948: Encantamento (Enchantment)
1948: Festim Diabólico (Rope)
1950: Pecado sem Mácula (Side Street)
1950: Alma em Revolta (Edge of Doom)
1950: Vida de Minha Vida (Our Very Own)
1951: Temido e Desejado (Behave Yourself!)
1951: Não Quero Dizer-te Adeus (I Want You)
1951: Pacto Sinistro (Strangers on a Train)
1952: Hans Christian Andersen (idem)
1952: Páginas da Vida (O. Henry's Full House)
1953: Garota do Interior/Senhorita Inocência (Small Town Girl)
1953: A História de Três Amores (The Story of Three Loves)
1954: Sedução da Carne (Senso)
1955: O Escândalo do Século (The Girl in the Red Velvet Swing)
1955: O Salário do Pecado (The Naked Street)
1970: Desafio na Pista (The Challengers) - TV
1970: Chamam-me Trinity (Lo chiamavano Trinità...)
1972: Romance Mortal (Rivelazioni di un maniaco sessuale al capo della squadra mobile)
1972: Um Homem Chamado Noon (The Man Called Noon)
1973: A Serpente (Le serpent)
1976: A Viúva (Widow) - TV
1981: Quem Matou Rosemary? (The Prowler)
1986: Próxima Atração: Morte (The Imagemaker)
1986: Um Apartamento Muito Louco (Very Close Quarters)
1995: O Outro Lado de Hollywood (The Celluloid Closet)


BR Busca JS - Busca
Banco de Dados
Para uma resposta mais rápida, utilize aspas na consulta, exceto quando tiver dúvida com relação à grafia do nome
Farley Granger
  Se você gostou, compartilhe esta página no Facebook
• fechar janela •