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Herivelto Martins


Compositor e cantor nascido em Paulo de Frontin, Rio de Janeiro, um dos grandes nomes da MPB entre 1930 e 1960 e eternizado em 1940 com a música Ave Maria no Morro, um de seus maiores sucessos, com mais de 80 regravações. Sua primeira composição que foi gravada era Da Cor do meu Violão, seguida pelo clássico Caminhemos. Formou a dupla Preto e Branco com Francisco Serra e, em 1936, organizou o Trio de Ouro com Dalva de Oliveira, com quem veio a se casar e manteve por treze anos uma união extremamente tumultuada. O casamento havia sido de cama, mesa e palco, de intérprete e autor. Herivelto compunha para que Dalva cantasse, fazia arranjos vocais e instrumentais para seus solos, era uma espécie de agente e empresário. Em 1952, o trio dissolveu-se com a saída de Dalva, mas Herivelto tentou ressussitá-lo novamente com a inclusão de Lurdinha Bitencourt e Raul Sampaio.

Em parceria com Grande Otelo, o compositor fez o maior sucesso de todos os carnavais, Praça Onze. Nas telas, participou de Cisne Branco e E o Circo Chegou, ambos de 1940. Em 1963, foi eleito presidente do Sindicato de Compositores Musicais do Rio de Janeiro e várias vezes reeleito. Entre mais de 600 composições, destacam-se Cabelos Brancos, Tudo Acabado, Que Será, Errei Sim, Mentira de Amor e Calúnia, todas da década de 50 e após sua separação de Dalva de Oliveira. No auge da carreira do casal e também de seus problemas conjugais, onde as brigas com intervenção da polícia não eram raras, eles se separaram. Mas apenas trocaram os socos e os pontapés entre quatro paredes pelos desaforos ditos em público, através dos microfones e discos. As farpas trocadas nas letras das melodias se transformaram em êxitos musicais e se alongaram até 1954. Esse período de duelos musicais foi o mais próspero de suas carreiras.

Em agosto de 50, Herivelto gravou Caminho Certo, feita em parceria com David Nasser: A culpada foi ela/ Transformava o lar na minha ausência em qualquer coisa/ abaixo da decência. Em Teu Exemplo, de sua autoria, ele cantava: Há muita estrela na lama, mas eu me refiro a ti, mandando um recado explícito à ex-mulher. Errei sim, manchei o teu nome, mas foste tu mesmo o culpado, rebatia Dalva em Errei Sim, de Ataulfo Alves. Poucos meses antes do compositor morrer, foi lançado Herivelto Martins: Uma Escola de Samba, da autoria dos jornalistas Jonas Vieira e Natalício Norberto. No livro são registradas diversas passagens interessantes de sua vida: Amigo de Orson Welles, que esteve aqui para rodar It's All True, em 1942, e abandonou uma festa black-tie no Cassino da Urca só para tomar cerveja com ele e Grande Otelo num bar de quinta categoria. Em 1950, chegou a ganhar um avião de presente de Adhemar de Barros, em troca de Vou Votar em Madureira, uma marchinha feita para sua campanha presidencial. Em 1964, viu-se subitamente envolvido com o Dops, que o incluiu por engano numa lista de subversivos. A década de 60 marcou o declínio na carreira do compositor, um dos grandes autores da época de ouro do rádio brasileiro, que durou até a metade dos anos 50. Herivelto faleceu aos 80 anos, em 17 de setembro de 1992.

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