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Herman Kahn
Controvertido físico, matemático, pensador militar e estrategista futurólogo, notabilizou-se por suas previsões apocalípticas, no fim da década de 60. Na época, fez tremer a intelectualidade americana e européia com seu primeiro best-seller, Sobre a Guerra Termonuclear (On Thermonuclear War), no qual defendia a elaboração de planos para a eventualidade de uma guerra atômica. Em 1967, Herman causou uma polêmica maior ainda ao emergir como futurólogo em The Year 2000, livro-tese, no qual desenhava cenários algo mirabolantes e controvertidas extrapolações estatísticas sobre o futuro do planeta. A imagem de um mundo superpopuloso e superpoluído, exaurido de riquezas naturais e conturbado pelo choque entre ricos e pobres, parece aos poucos desfazer-se, ao menos no primeiro mundo.


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Nascido em Los Angeles, Herman foi conselheiro científico da Força Aérea americana e introduziu inovações na área militar. Em visita ao Brasil, foi alvo de críticas pela imprensa da época, por ter afirmado que seríamos a nação mais pobre do mundo no ano 2.000. Sua proposta de internacionalização da Amazônia mereceu o desprezo nacional.

Entre suas obras, incluem-se Sobre a Escalada e A Prosperidade Está Próxima, lançada no Brasil pouco antes de sua morte. Com 150 quilos de peso, o rosto emoldurado por uma barba branca bem aparada e com olhos vivos escondidos atrás de óculos de lentes grossíssimas, despachava com todos os presidentes americanos, de Harry Truman a Ronald Reagan. Dono de um célebre Q.I. igual a 200, era diretor do Hudson Institute, reputado centro de pesquisa localizado próximo a Nova York. Khan foi comparado ao Dr. Strangelove - personagem de Stanley Kubrick, estranhamente fascinado por engenhos atômicos -, acusado de imoral por pensar o impensável e por preconizar a construção em massa de abrigos nucleares.

Ele prognosticou o florescimento da economia do Japão muito antes da invasão de seus automóveis nos Estados Unidos e, para os vinte anos seguintes, uma nova idade do ouro para seu país, assinalada pelo crescimento da produtividade, desaparecimento da pobreza e pela abundância de recursos. Analisou as perspectivas da transmissão eletrônica da correspondência (o largamente utilizado fax da atualidade); meios de ganhar uma guerra em El Salvador; alternativas para o imposto de renda; e a força da Marinha soviética. Chegou também a rejeitar a teoria nuclear vigente na época, segundo a qual, a devastação subsequente a um conflito nuclear é capaz de deter o uso dessas armas. Em vez disso, defendia os preparativos para guerras nucleares limitadas. Herman Kahn faleceu aos 61 anos, em 8 de julho de 1983.