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Heron Domingues


Lendário locutor de notícias, apresentou o Repórter Esso durante 18 anos no Rio de Janeiro, transferindo-se posteriormente para a Rede Globo, onde consagrou-se no Jornal Nacional como comentarista internacional. Era de origem gaúcha, da cidade de São Gabriel, e completara 33 anos de carreira. Sua primeira notícia foi transmitida pela Rádio Gaúcha de Porto Alegre, em 1941, e anunciava a entrada dos Estados Unidos na II Guerra Mundial, devido ao ataque de Pearl Harbor. E, na noite em que dava destaque ao dramático discurso de renúncia do Presidente Nixon através do Jornal Nacional, veio a falecer poucas horas depois.

No Rio Grande do Sul, Heron Domingues chegou a trabalhar nas Rádios Gaúcha, Farroupilha e Difusora de Porto Alegre. Em 1962, já no Rio, foi comentarista internacional de A Imprensa e de A Noite, redator da United Press e locutor dos jornais cinematográficos da Atlântida. Estagiou durante três anos nas grandes redes de TV americanas. Uma das melhores vozes do rádio, quando transferiu-se para a televisão fez um regime para perder 20 quilos, mudou o guarda-roupa e o corte do cabelo, tudo para aprimorar o visual. Tinha o costume de ligar para as embaixadas a fim de confirmar a pronúncia de nomes estrangeiros e retificava os textos entregues pelos redatores para que ele os apresentasse.

O auge da carreira de Heron aconteceu como locutor do Repórter Esso. Ele mesmo relataria: "Trabalhei no Repórter Esso de 1944 a 1962, sem um dia de folga. Levantava-me ás 6:45 hs. e voltava para casa à 1:30 da madrugada. Nos períodos críticos, dormia na rádio, que tinha uma cama na redação. Para se ter uma ideia da época conturbada em que vivíamos, no período em que fui locutor do Esso, houve no Brasil dez presidentes da república. Durante a guerra, dormia na Rádio Nacional com um fone no ouvido, diretamente ligado a UPI. Sempre que havia uma notícia importante, eles me despertavam, eu mesmo colocava a emissora no ar e transmitia a notícia. Para o fim da guerra, preparamos uma audição especial do Repórter Esso, em que a notícia seria dada fundida com o repicar de sinos. Com medo de me emocionar muito diante do microfone, gravei o início da transmissão: "Atenção! Atenção! Acabou a guerra". A notícia foi ao ar às onze horas da manhã do dia 7 de maio de 1945".

Heron Domingues, o Repórter Esso, aguardava sôfrego pelo telegrama que confirmaria o fim da II Guerra Mundial, em 1945. Deveria fazer jus ao apelido a ele atribuído, "o primeiro a dar as últimas". Após passar Natal, Ano-Novo e Páscoa em alerta, os colegas insistiam para que ele fosse descansar em casa. Aceitou o conselho a contragosto e, para sua decepção, ele soube do fim do armistício pela emissora concorrente. Para consolo, sua credibilidade ressoou: "Se o Repórter Esso ainda não deu, não deve ser verdade", comentava-se pelo país. Só depois que empostou sua inconfundível voz ao microfone é que a notícia ganhou veracidade. Em 1959 fazia parte do departamento de jornalismo da TV Continental.

Heron era a própria testemunha ocular da história, do slogan utilizado pelo famoso jornal. Cinco notícias que lhe causaram maior emoção: o lançamento do primeiro satélite artificial em órbita terrestre; o fim da II Guerra; a conquista pelo Brasil da Copa do Mundo de 1958; o lançamento da bomba atômica em Hiroshima e o suicídio do presidente Vargas que, segundo suas palavras, o levou às lágrimas. O jornalista faleceu aos 50 anos, em 9 de agosto de 1974.

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