Cineasta pioneiro do cinema brasileiro, em 50 anos de carreira dirigiu doze filmes e colaborou como intérprete, roteirista, fotógrafo ou adaptador de diálogos em cerca de mais de uma dúzia de outros tantos. Considerado por Glauber Rocha como uma das bases da estética do cinema novo brasileiro, ao lado do neo-realismo italiano e do cinema revolucionário soviético, foi tema de um livro do crítico e historiador Paulo Emílio Salles Gomes, Humberto Mauro, Cataguases, Cinearte.
Em sua bagagem cinematográfica incluem-se também cerca de 250 curta e média-metragens, entre eles, A Velha de Fiar, de 1959, onde atuou, baseado em canções do folclore mineiro e montado ao ritmo da trilha sonora. Autodidata e filho de italiano, abandonou os estudos em Belo Horizonte para voltar a Cataguases, Minas Gerais, onde fez o curso de eletricidade por correspondência, instalou uma oficina eletro-mecânica e ajudou a levar energia elétrica às fazendas da região. Foi para o Rio de Janeiro em 1916 mas dois anos depois voltava à sua cidade.
Em 1925, ao 27 anos, Mauro rodou o curta-metragem Valadião, o Cratera, em sociedade com Pedro Comello, fotógrafo da região. Inspiraram-se em seriados norte-americanos. De 1936 a 1964, dirigiu e produziu 365 documentários para o INCE - Instituto Nacional de Cinema Educativo, do Ministério da Educação do Rio de Janeiro, abordando a raça e os costumes brasileiros.
Humberto Duarte Mauro foi casado com Maria de Almeida Mauro, com quem teve seis filhos. Possuía uma coleção de quase 200 bengalas e considerava-se vastamente roubado pelos exibidores, que imaginava não ser corretamente remunerado por seus direitos autorais. Sua obra divide-se em duas fases importantes, entre o cinema mudo e o sonoro. Humberto faleceu aos 86 anos, em 5 de novembro de 1983.