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Iberê Camargo


Pintor nascido em Restinga Seca, Rio Grande do Sul, um dos grandes expoentes da arte brasileira de todos os tempos, sua obra era considerada pelos críticos como as melhores à disposição nas galerias, entre a produção brasileira recente. Estudou na Escola de Artes e Ofícios de Santa Maria e na de Arquitetura do Instituto de Belas-Artes de Porto Alegre. Em 1947, foi agraciado com um prêmio de viagem ao exterior pelo Salão de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Assim, na Europa estudou pintura, afresco, gravura e materiais de pintura com os maiores nomes da época.

De volta ao Brasil, foi professor de gravura em Porto Alegre e Montevidéu. Até os 40 anos, Iberê era um aluno dedicado de Guignard e de De Chirico. Pintava paisagens, cenas de rua e trabalhos em que a figura ia se dissolvendo até se transformar em meras sugestões. O processo foi particularmente claro a partir de 1958, numa série de gravuras que, ao longo de quatro anos, resumiram sua progressiva caminhada. Numa segunda fase, cria um estilo de pintura denominado abstracionismo lírico ou informal, cujos resultados costumavam ser bonitos, obtidos a base de manchas coloridas e de requintes de superfícies trabalhadas, numa linha semelhante a de Manabu Mabe.

Depois Iberê simplifica os traços e surge uma obra carregada de impacto e tragédia. Nos últimos anos de vida, pintava figuras com rostos torturados e zombeteiros, e auto-retratos cheios de angústia. Autor das telas mais caras do mercado, que chegavam a custar 46 mil dólares, Iberê identificou-se com esse tema ao envolver-se numa tragédia em 1980: no Rio de Janeiro, acompanhado de sua secretária, testemunhou na calçada uma briga violenta entre o projetista Sergio Areal e sua mulher. Este ameaçou-o por estar observando a cena, empurrou a secretária e depois o próprio artista. Agredido, Iberê sacou de um revólver e desferiu-lhe dois tiros. Preso por assassinato, foi absolvido, depois de um mês, alegando legítima defesa.

Em seis décadas de intensa produção, deixou telas como "No Vento" e na "Terra 2", "Homem da Flor na Boca", "Núcleo em Movimento", "Magna", "Semeadores", "Ceifadores", "Movimento" e "Passos". No livro "Conversações com Iberê Camargo", da autoria de Lisette Lagnado, são publicadas suas declarações a respeito da morte: "Caminho para o ignorado com o mesmo ânimo com que vivo. Continuarei polindo minha pedra com a paixão de sempre, até que o sono me vença... Não nasci em cacho. Nasci só e morrerei só. Ignoro o rastro que deixo no meu andar. Não se pode seguir o sulco do barco que singra as águas". Iberê Camargo faleceu aos 79 anos, em 9 de agosto de 1994.

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