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Ivani Ribeiro


Autora de novelas de TV, fez 39 tramas de sucesso, sabendo mexer com as emoções humanas com mestria. Em janeiro de 1978, a novela "O Profeta", onde mostrava os estranhos poderes mentais de Daniel, personificado por Carlos Augusto Strazzer, apresentada pela Rede Tupi, conseguia superar a poderosa Globo, que no mesmo horário colocava no ar "O Astro", de Janet Clair. Em novembro do mesmo ano, estreava "Aritana", contando a aventura de um índio Kamaiura para garantir a terra e a sobrevivência de sua tribo, vivido pelo ator Carlos Alberto Riccelli.

Em março de 1979, aborrecida com os rumos que tomava a Rede Tupi, escreveu cartas ao jornais paulistas denunciando, entre outras manipulações da emissora, o desdobramento de cada dois capítulos em três, numa clara intenção de esticar a novela "Aritana". Em 1983, já na Rede Globo, escreveu "Final Feliz". Ivani, que é pseudônimo de Cleide Ferreira, adorava rádio desde que tinha doze anos. Ficava horas na sala de sua casa em São Vicente, onde nasceu, ouvindo poesias lidas ao vivo. Um dia decidiu arriscar e mandou um punhado de versos para uma emissora. Tímida, assinou Ivani Ribeiro, nome escolhido após passar vários dias estudando diversas combinações possíveis. Poesia não deu certo.

Alguns anos mais tarde, ela foi ser cantora de rádio e conseguiu alguns minutos de glória. Em 1938, tentou essa carreira na Rádio Educadora, em São Paulo. Em sua primeira apresentação, fez uma imitação da grande Inesita Barroso, campeã do gênero sertanejo da época. Depois, continuou por algum tempo cantando e compondo sambas na Rádio Bandeirantes. Ivaní, como cantora, não deu certo. Cleide, então, se casou com o apresentador de programas de rádio, Dárcio Moreira Alves Ferreira, advogado. Ivaní passou quatorze anos como autora de radionovelas, tendo feito quase 3.000 adaptações radiofônicas de textos literários e filmes famosos.

Em 1946, fazia sua primeira adaptação, "Mulheres de Bronze", folhetim de Xavier de Montepain. Em 1963, escreveu sua primeira telenovela diária, "Corações em Conflito" para a extinta TV Tupi. Para a mesma emissora, fez "A Gata" (1964), "As Bruxas" (1970), "O Meu Pé de Laranja Lima" (1970), "Nossa Filha Gabriela" (1971), "Camomila e Bem-Me-Quer" (1972), "Mulheres de Areia" (1973), "Os Inocentes" (1974), "A Barba Azul" (1974) e "A Viagem" (1975). Para a TV Record, escreveu "O Leopardo" (1972) e "O Espantalho" (1977). Na extinta TV Excelsior, a autora foi responsável por diversas novelas de sucesso, entre elas, "A Outra Face de Anita" (1964), "Almas de Pedra" (1966), "As Minas de Prata" (1967), "A Menina do Veleiro Azul" (1969) e "Dez Vidas" (1969).

Ivani produziu 32 novelas para a televisão com os mais variados temas, desde uma biografia romanceada de Tiradentes a uma oportunista aventura intergalática, "Os Estranhos", onde Pelé deu os primeiros passos como ator. Entre todas as criações da autora, contudo, a mais exótica foi "O Terceiro Pecado", novela onde uma das personagens fazia o papel da Morte e acabava se apaixonando por uma de suas vítimas com quem tentava fugir. Ivaní não falava com pessoas estranhas, nem com jornalistas. Quando atendia ao telefone e ouvia uma voz estranha, fingia que era a empregada. Improvisava um sotaque qualquer e dizia: "Dona Ivaní está trabalhando. Não pode atendê, não sinhô". Dificilmente alguém conseguia fotografá-la tampouco.

Em São Paulo, onde morou durante quarenta anos, gostava de escrever sobre o amor, o ódio, o bem e o mal. Era desconhecida até mesmo onde trabalhava, na Rede Globo do Rio de Janeiro, onde foi uma única vez em meados da década de 80. O porteiro barrou sua entrada. Sofria de diabete e tinha dificuldade para enxergar. Nos últimos anos de vida, Ivaní quase não lia e não se sentava à sua máquina de escrever, equipamento que considerava insubstituível pois imaginava que jamais iria aprender a usar um computador. Usava sempre óculos escuros. Vinte dias antes de seu falecimento, morria o marido, Dárcio, no mesmo hospital onde ela estava internada. A escritora não chegou a ser comunicada da perda do companheiro por 53 anos. Ivani Ribeiro faleceu aos 79 anos, em 17 de julho de 1995.

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