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Cineasta francês nascido em Le Pecq, no dia 9 de outubro de 1907, considerado pela crítica como o novo Chaplin e um dos mais originais artistas das telas, criou e personificou Monsieur Hulot, que abordava temas ligados à sociedade em forma de sátiras inteligentes. Seu personagem era alto e desajeitado mas, sobretudo, pungente. Tinha como características o chapéu e o cachimbo, o cavalheirismo quixotesco e as pantomimas inspiradas no cinema mudo.

Filho de pai russo e de mãe francesa, seu verdadeiro nome era Jacques Tatischeff. Alto, com 1,87m, se projetou inicialmente no campo esportivo e se tornou um dos principais jogadores de rugby da França. Foi também um bom jogador de futebol e tênis. Era um hábil mímico e durante dois anos tentou, sem sucesso, fazer carreira no music-hall. A oportunidade surgiu em um espetáculo de gala no Hotel Ritz e a partir daí ele se tornou um comediante de boulevard. Em 1932 começou sua carreira como ator e roteirista, realizando uma série de curta-metragens e de 1945 a 1946 fez dois filmes do consagrado diretor Claude Autant-Lara.

Sempre filmando em seu país de origem, a França, e com um agudo senso de humor e de poesia, Tati dispensava na maior parte os diálogos em seus filmes. Trabalhava com a música e o silêncio e, em outras situações, extraía um grande efeito cômico de sons e ruídos. Realizou obras preocupadas com o social, mas de uma maneira extremamente pessoal, poética, invariavelmente declarando seu amor aos personagens criados por ele em roteiros geniais.

Tati iniciou sua carreira no teatro, apresentando números de mímica sobre esportes. Sua carreira de cineasta começa em 1947 com "Jour de Fête", que no Brasil teve o título de "Carrossel da Esperança" e que contava as desventuras de um carteiro francês de uma aldeia, que tentava incorporar os conceitos dos serviços postais norte-americanos, então os mais eficientes do mundo. O filme recebeu o prêmio de melhor roteiro no Festival de Veneza em 1949 e o Grande Prêmio do Cinema Francês em 1950.

O filme seguinte, "As Férias do Sr. Hulot", rodado em 1951 na praia de Saint-Marc, na Bretanha, levou um ano para ser concluído mas ao chegar aos cinemas foi um estrondoso sucesso. Ganhou o Prêmio Louis Delluc e o Grande Prêmio da Crítica Internacional em Cannes, em 1953.

Em 1957, Jacques Tati inicia a realização de "Meu Tio", sua primeira produção colorida e considerado o seu filme mais lírico. Se transformou em um grande sucesso mundial, tornando-o milionário. O filme é apresentado em estreia mundial a 9 de maio de 1958 no XI Festival de Cannes que lhe atribui o Prêmio Especial do Júri. "Meu Tio" recebeu consagração mundial ao conquistar o Oscar de melhor Filme Estrangeiro em 1959. O cineasta realizou poucas películas ao longo da carreira, segundo ele, porque não se podem fabricar filmes como se fabricam pães.

"As Férias de Sr. Hulot", lançado em 1953, levou mais de um ano para ser completado já que Tati brigava constantemente com os produtores. Tati ganhou muito dinheiro com seus primeiros filmes, mas ficou seis anos sem filmar. Quando retornou com "Playtime", uma grande superprodução com 150 minutos de duração e que lhe deu um prejuízo de 8000 milhões de francos, Tati viu seu império desmoronar. Em 1970 ele tentou se recuperar do fracasso de "Playtime" com outro filme, "Trafic", mas apesar do relativo sucesso do filme não foi suficiente para recuperar a sua fama.

Em seus primeiros filmes – como "Escola de Carteiros" e "Carrossel da Esperança" -, Jacques Tati já despontava na França e mostrava um timing cômico bastante interessante, mas foi na década de 1950, com "As férias do Sr. Hulot" e "Meu Tio", que o diretor francês estabeleceu de vez uma maneira de filmar bem peculiar, com um cuidado primoroso com os detalhes de cena. E Tati desenvolvia seu cinema em momento bem específico na França: a transição de um cinema mais clássico e formalista para outro de rupturas. Tati não se vincula a qualquer tipo de escola ou movimento, não pretende uma narrativa clássica e nem a desconstrução proposta pelos cineastas da "nouvelle vague".

De sua obra, também destacam-se "As Férias do Senhor Hulot" (Les Vacances de Monsieur Hulot, 1953), no qual o próprio cineasta encarna pela primeira vez o personagem que viria a repetir até o final da vida; "Tempo de Diversão" (Play Time, 1967) fala das agruras do Sr. Hulot na cidade grande; "As Aventuras de Monsieur Hulot no Tráfego Louco" (Trafic, 1972) encerra sua carreira em frente às cameras e mostra o personagem envolvido em altas confusões numa auto-estrada; "Parade", sua última produção, em 1974. Em 1949, atuou em "Os Fantasmas de Sylvie" (Sylvie et le Fantome). Jacques Tatischeff era seu nome real e morreu vítima de uma embolia pulmonar semanas após completar 75 anos, em 5 de novembro de 1982. Considerado pela crítica especializada como o mais original comediante aparecido no cinema depois de Charles Chaplin, Tati faleceu falido e longe do cinema há mais de dez anos.


Filmografia (atuação, roteiro e direção)
1936: Cuida da Tua Esquerda (Soigne ton gauche) - curta
1946: Silvia e o Fantasma (Sylvie et le fantôme)
1947: Adúltera (Le diable au corps)
1947: Escola de Carteiros (L'école des facteurs) - curta
1949: Carrossel da Esperança (Jour de fête)
1953: As Férias do Sr. Hulot (Les vacances de Monsieur Hulot)
1958: Meu Tio (Mon oncle)
1967: Aula Noturna (Cours du soir)
1967: Playtime - Tempo de Diversão (Playtime)
1971: As Aventuras de M. Hulot no Tráfego Louco (Trafic)
1974: Parada (Parade)
2010: O Mágico (L'illusionniste) - roteiro


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Jacques Tati
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