A

B

C

D

E

F

G

H

I

J

K

L

M

N

O

P

R

S

T

U

V

W

X

Y

Z

James Baldwin


Escritor americano nascido no Harlem, autor de grandes sucessos de livraria e ativo defensor dos direitos dos negros e da minoria gay. De família numerosa, o mais velho de nove irmãos, entre os 14 e 16 anos era pregador de uma igreja evangélica em Nova York. Viveu oito anos na França e voltou aos Estados Unidos em 1957, tendo se engajado no movimento em favor de sua raça. Acabaria porém se fixando e morrendo na França. Escreveu uma peça de teatro em 1964, "Blues for Mr. Charlie" (Mr. Charlie é o nome pelo qual os negros apelidam os brancos) e estreou no romance com "Go Tell it on the Mountain".

Sua segunda novela, "Giovanni", de 1958, abordava o relacionamento homossexual entre um homem mais velho e um jovem italiano, de grande densidade social e dramática. Foi o reconhecimento de sua capacidade literária. "Just Above My Head", de 1979, trata do assunto similarmente, tendo chegado a receber elogios do New York Times. Com relação à discriminação racial, ele afirmou na França: "Os brancos se dizem perplexos com o holocausto na Alemanha. Não podiam se imaginar capazes de tão grande barbaridade. Duvido, porém, que os negros tivessem essa reação de espanto, pelo menos no mesmo grau. Também aqui, pátria dos direitos humanos, existe racismo. Em Paris há um bairro negro que se parece muito a um guetto nova-iorquino. Os franceses tinham certeza de que não eram racistas, depois veio a Indochina e a Argélia e aí descobriram então que também tinham seus negros".

Trecho extraído de sua mais pungente obra, "Numa Terra Estranha" (Another Country, lançado nos EUA em 1962 e no Brasil em 1965): "O inconveniente de uma vida secreta é que muitas vezes, ela é um segredo para quem a vive, mas não o é em absoluto para as pessoas a quem encontra. Encontra, porque não pode deixar de encontrar, pessoas que vêem esse segredo antes de qualquer outra coisa, e que o fazem vir à luz; por vezes com o propósito de utilizá-lo contra ele e por vezes com intenção mais benévola; mas, seja qual for a intenção, o momento é terrível e a revelação acumulada representa uma tortura sem nome. O objetivo do sonhador, afinal de contas, é seguir sonhando sem ser molestado pelo mundo. Seus sonhos são a sua proteção contra este. Mas os objetivos do mundo são opostos ao do sonhador, e o mundo tem dentes afiados". Entre suas obras, também se destacam: "Tell Me How Long The Train’s Been Gone", "Notes of a Native Son", "The Fire Next Time", "The Devil Finds Work", "Going to Meet the Man" e "The Amen Corner". Baldwin morreu aos 63 anos, em 1º de dezembro de 1987.

Another Country (1962)
Novela dividida em três partes, passada em Greenwich Village, nos anos cinquenta, num cenário composto por música jazz, saxofonistas, drogas, orgias, homossexuais e polígamos, refletiria o estilo de vida do negro e ativista dos direitos civis James Baldwin (1924-1987). A obra deste autor centrava-se nos problemas dos negros numa América segregacionista, demasiado tacanha para aceitar a igualdade de direitos para todos os cidadãos, fossem eles negros ou homossexuais. Ele próprio homossexual, trocaria, em 1948, Nova Iorque por Paris, tendo passado a viver nesta cidade numa espécie de exílio voluntário.

O romance começa por contar a história trágica do baterista de jazz Rufus Scott. Tendo ido viver com Leona, branca, fugida de um marido e de filhos, viciada na bebida, Rufus apresenta-a aos amigos, entre os quais constavam Daniel Vivaldo Moore, irlandês de vinte e nove anos, escritor nunca publicado, tentando ainda acabar um livro iniciado na adolescência, Cass Silenski, trinta e quatro anos, mãe de dois filhos, casada com Richard, escritor polaco de trinta e sete anos, antigo professor de inglês de Vivaldo no liceu, que acabara de publicar um best-seller chamado The Strangled Men. A novel of murder. Todavia, paranóico por Leona ser branca e fazê-lo sentir-se inferior, cedo começa a maltratá-la: «Somewhere in his heart the black boy hated the white boy because he was white» (p.134). Vivaldo salva-a, mandando-a de volta para junto dos filhos que abandonara. Passadas algumas semanas, querendo fugir do ambiente repressivo do Harlem, Rufus atira-se da ponte George Washington. Esta morte rebenta como uma bomba no seu grupo de amigos e acaba por juntar Vivaldo a Ida Scott, irmã do falecido, num namoro infrutífero.

A relação entre Vivaldo e Ida não funciona. Frustrados por diferentes motivos, não se compreendem um ao outro. Cheio de inveja do sucesso de Richard, sem perspectivas de vida, Vivaldo sente-se falhado. Rapariga amargurada, sempre inconformada com o racismo de que costuma ser vítima (a expressão é very race-conscious), Ida acusa constantemente o namorado de não levar a sério a relação com ela por ser negra. Como se estas diferenças não fossem suficientes para destruir um lar, Vivaldo sente cada vez mais ciúmes da relação entre Ida e Ellis, homem que a tirara do balcão de um café e a transformara em cantora de jazz. Cada vez mais ciumento, descobre que ela o trai.

Imediatamente a seguir ao referido suicídio, Eric Jones, actor famoso e primeiro amante masculino de Rufus, regressa a Nova Iorque após uma estadia em França onde se envolvera com Yves, um belo rapaz ao qual prometera que, em breve, o levaria para os Estados Unidos para viverem juntos. Pouco tempo após a sua chegada, Eric envolve-se com Cass, cada vez mais afastada de Richard, escritor sempre muito embrenhado no seu trabalho. Cass pratica, então, adultério com um homossexual, sabendo que uma relação assim não pode ser duradoura. Quando descobre que é traído, Richard espanca a esposa. Eric fica aliviado com o afastamento de Cass e vai buscar Yves ao aeroporto.

A consciência de exclusão, de alienação numa sociedade que põe de parte indivíduos devido ao preconceito, está sempre presente na forma como se comportam as personagens de Another Country. A certa altura, depois de terem sido espancados num bar, Rufus recusa-se a levar Vivaldo ao hospital, já que, sendo negro, o atendimento prestado pelos médicos ao seu amigo branco poderia ser pior caso o estivesse a acompanhar. Homens como Rufus, demasiado orgulhosos e agarrados à sua honra, não podem prostituir-se ou entregar-se à homossexualidade sem ficarem profundamente perturbados com a consciência do pecado: «Honour. He knew that he had no honour which the world could recognize. His life, passions, trials, loves, were at worst, filth, and, at best, disease in the eyes of the world, and crimes in the eyes of his countrymen» (p.206). Por outro lado, a honra não impede que homens que mantêm relações heterossexuais vão para a cama com outros homens. Vivaldo dorme com Eric quando descobre que é traído por Ida. Os grandes valores morais não desviam uma mulher casada de trair o seu marido com um homossexual. Nem a própria Ida, altamente consciente da diferença de cor e, por isso, exigente no que se refere à sua conduta moral, se proíbe de trair Vivaldo com o patrão. O sexo é a explicação para quase todos os comportamentos pecaminosos destas personagens. O único a ter um comportamento correcto parece ser Rufus. Pecador, não procura infectar-se mais. Ao suicidar-se, corta com o passado, imitando o autor do livro, James Baldwin, o qual, em 1948, fugiu para França, deixando atrás de si o Harlem

BR Busca JS - Busca
Banco de Dados
Para uma resposta mais rápida, utilize aspas na consulta, exceto quando tiver dúvida com relação à grafia do nome
• fechar janela •