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Jean Genet


Teatrólogo, escritor e memorialista francês com expressivo prestígio a partir de um ensaio escrito por Jean-Paul Sartre a seu respeito, em 1952. Seu comportamento marginal levou-o a extremos, em choque com padrões morais e com a ordem estabelecida. Nasceu em Paris e foi abandonado pela mãe, uma prostituta, na assistência pública. Naquele tempo era comum enviar às regiões rurais as crianças abandonadas da capital. Tendo sido adotado por uma família de camponeses de Morgan, cometeu seu primeiro roubo, contra os pais adotivos, ainda adolescente. Foi enviado, então, para o reformatório.

Após abandonar a família adotiva, Genet passou a juventude em reformatórios e prisões onde afirmou sua homossexualidade. Enquanto compunha romances ou peças consagradas como "O Balcão", "Os Negros" e "Os Biombos", criou uma mitologia pessoal marcada por escândalos, roubos e rixas. Colecionou uma sucessão de amantes, que o acompanharam pelo baixo mundo parisiense e conquistou a nata da intelectualidade européia. Nos anos 30, se alistou e desertou da legião estrangeira. Durante a II Guerra, na prisão de Fresnes, descobriu a literatura e escreveu ‘O Milagre da Rosa’, sendo só publicado anos depois. Ao sair da cadeia, editou ‘Pompas Fúnebres’, cuja ação se desenrola na França ocupada pelos nazistas e os personagens são homossexuais.

Nessa época, conheceu Sartre e foi preso novamente, condenado à prisão perpétua. Saiu-se livre graças a um movimento de intelectuais liderados por Jean Cocteau, tendo concluído o romance ‘Nossas Senhora das Flores’, dedicado a Maurice Pilorge, condenado à morte na guilhotina pelo assassinato de seu amante. A peça ‘Alta Vigilância’ foi escrita a lápis no papel que os presidiários recebiam para fazer sacolas. Seu livro mais conhecido é ‘Diário de um Ladrão’, publicado em 1949. No ano seguinte, escreveu ‘Querelle de Brest’, que, em fins da década de 70, foi adaptado para o cinema por Werner Fassbinder e estrelado por Brad Davis. Afirma-se que Genet perturbou tanto o diretor durante o período de filmagens, que apressou sua morte.

Jean Genet foi também amigo de outras importantes personalidades de seu tempo: o filósofos Jacques Derrida e Michel Foucault, os escritores Juan Goytisolo e Alberto Moravia, os compositores Igor Stravinski e Pierre Boulez, o diretor de teatro Roger Blin, os pintores Leonor Fini e Christian Bérad, os líderes políticos Georges Pompidou e François Mitterrand. Depois do suicídio de um de seus amantes e do amigo e tradutor Bernard Frechtman, ele próprio tentou matar-se. Genet atravessou a década de 1960 colhendo frutos de sucesso de seus romances, peças e roteiros. Mas, a partir dos anos 1970 até a sua morte, em 1986, engajou-se na defesa de trabalhadores imigrantes na França, assumiu a causa dos palestinos e envolveu-se com líderes de movimentos norte-americanos como Panteras Negras e Beatniks. Publicou suas memórias no livro "Diário de um Ladrão", onde narra suas aventuras e andanças pela Europa, suas paixões e seus sentimentos.

Em 1970, o escritor esteve em São Paulo para assistir à montagem de sua peça ‘O Balcão’, no teatro Ruth Escobar. ‘Cheguei, sentei e dormi’, diria ele mais tarde. Nos anos 60, participou de movimentos contra o racismo e, em 1977, saiu em defesa dos terroristas alemães Baader e Meinhof, condenados a morte. ‘Sou o intérprete do resíduo humano. A sociedade, como vocês a fizeram, eu a detesto’, afirmou. Faleceu aos 75 anos, em 18 de abril de 1986.

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"Uma Canção de Amor" (Un Chant d'Amour), dirigido por Jean Genet na década de 50, dois prisioneiros, separados por uma parede desenvolvem uma maneira de se comunicar.