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Joan Miró
Pintor espanhol, com Pablo Picasso e Salvador Dali, formava a trindade catalã que chegou em Paris no início do século e alterou para sempre os rumos dessa arte no mundo. Filho de um joalheiro bem de vida, Miró recusou-se a trabalhar no comércio, preferindo estudar artes em Barcelona. Incerto quanto a seu futuro, na juventude chegou a trabalhar como guarda-livros numa farmácia. Escapou de uma vida burocrática graças a uma crise nervosa, que acabou levando-o à Paris dos surrealistas na década de 20. Desembarcou na capital francesa com 26 anos, em 1919, e logo conheceu Picasso, a quem levava algumas encomendas da mãe. Em 1921, fazia sua primeira exposição importante e, em 1923 vendia a primeira tela, A Fazenda ao iniciante escritor Ernest Hemingway.

Miró se casou na Catalunha em 1929, com Pilar Juncosa, sua única mulher e mãe de sua filha Dolores. Considerado gênio pelos livros de arte, até receber o reconhecimento da crítica, na década de 40, Miró lutou ferozmente contra sua própria limitação motora. Diziam as fofocas que ele era tão atrapalhado com as mãos que encontrava dificuldade até para amarrar os sapatos.


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A partir de 1940, o artista se fixou na Espanha, passando a viver em Son Abrines, Palma de Mallorca. Da janela do ateliê, no velho casarão rodeado de um imenso jardim e cercado por um muro de pedras, podia avistar os edifícios que foram sendo construídos ao longo dos anos. Afirmava: Não importa. Entro aqui de manhã, olho essas construções horríveis, me encho de fúria, grito "merde" e começo a trabalhar. A raiva é, também, um bom impulso.

Obstinado pela pureza da arte e inimigo das regras de mercado, Miró não hesitou em atear fogo em seus próprios quadros nos anos 70, quando já passava dos 80 anos. Tinha o hábito de pintar dezenas de telas simultaneamente, deixando algumas a meio caminho da conclusão para pensar melhor a pincelada seguinte, que poderia ocorrer algumas horas, dias ou semanas depois. Com pouco mais de 1,60 metro de altura, cabelos ralos totalmente brancos e a pela salpicada de manchas, Miró não falava castelhano, apenas francês ou catalão, tendo demonstrado uma vitalidade até quase o fim da vida, com disposição para pintar e desenhar. Estudos posteriores a sua morte informam que ele foi mais produtivo na velhice do que na juventude.

Nos últimos 25 anos de vida e de trabalho diário em seu ateliê, ele viria a criar nada menos do que 90% de suas esculturas, 80% das gravuras e 40% da pintura, além de trabalhos em cerâmica, encomendas para cenários de teatro e milhares de desenhos preparatórios. Entre suas obras destacam-se Interior Holandês e a série Constelações. Em 1990, era lançado A Cor dos Meus Sonhos, de Georges Raillard, descrevendo a vida e a obra do pintor. Joan Miró faleceu aos 90 anos, em 25 de dezembro de 1983.