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João Saldanha


Jornalista e esportista natural do Rio Grande do Sul, famoso por ter convocado os integrantes e dirigido a Seleção Brasileira de Futebol em 1970. Afastado das funções 45 dias antes do início da Copa do Mundo no México devido a desencontro de opiniões com o Presidente Médici. João Alves Jobim Saldanha era filho de um advogado getulista, saiu de casa antes da maioridade e foi ser alfabetizador no campo do norte do Paraná. Permaneceu anos nessa profissão, deslocando-se a pé pelo interior do país. Depois, vendeu um apartamento presenteado pelo pai, para fundar em São Paulo um jornal comunista em que todo mundo escrevia sob pseudônimo.

Militante do Partido Comunista Brasileiro, João Saldanha tinha chegado ao segundo ano de Direito no Rio de Janeiro quando teve que fugir do país com papéis falsos, mantido anos no exílio com despesas do Partido. Esteve na Checoslováquia, Rússia, atravessou a Sibéria, entrou na China, onde entrevistou Mao Tse Tung, foi para a Coreia. Na volta, estreou como esportista na ala infantil do Clube Botafogo do Rio de Janeiro. Em 1955, obteve o cargo de orientador tático e, em 1957, conquistava o título carioca, o que lhe trouxe a fama.

Em fevereiro de 1969 era escolhido como técnico de futebol da CBD: Num domingo, João Havelange e Antônio do Passo foram bater na porta de Saldanha e o diálogo foi fulminante: "Você quer ser técnico da seleção?" Ele respondeu com outra pergunta: "Isto é sondagem ou proposta?" E o presidente da CDB: "Proposta". João deu uma resposta de fera: "Topo". Outro qualquer teria pedido prazo para pensar, mas um minuto bastou para que os três tomassem a grande decisão. Saldanha tornou-se também comentarista de rádio e televisão em 1958 e passou a colaborar para o Jornal dos Esportes e Última Hora. Tinha paixão por futebol e o considerava como arte popular. Transformou-se num dos mais famosos cronistas esportivos do país.

João Saldanha possuía notável capacidade de escrever como quem conversa, num estilo coloquial, simples e telegráfico. Em sua coluna, na revista Fatos e Fotos de 1974, ele relata o seguinte episódio: "Foi em 1959 que o Manga chegou ao Botafogo. Eu era o treinador e ele entrou dizendo: "Você é que é o homem?"- homem, para jogador de futebol, é o treinador, e eu respondi que sim. Então o Manguinha me avisou com energia: "Olha, quando tiver pênalti aqui, quem bate sou eu." Fui obrigado a dizer: "Pois bem, meu camaradinha, aqui é o Rio de Janeiro, e no Botafogo quem bate é o Didi"... A verdade é que o Manga ainda não perdeu pênalti. Por sinal que é o único jogador que eu conheço que jamais perdeu um pênalti."

Saldanha era genioso e tinha a fama de corajoso, sempre disposto a fazer valer suas opiniões, mesmo que para isso tomasse atitudes absurdas. Certa vez, o mesmo esportista do episódio narrado acima acusou-o de ter-se vendido. Sem pestanejar, ele pegou um revólver e começou a atirar para o chão, fazendo com que Manga pulasse apavorado o muro do clube. Nélson Rodrigues o chamava de mito selvagem. Saldanha orgulhava-se de ter assistido a todas as Copas do Mundo, com exceção da primeira, em 1930. Assistiu a jogos de futebol em 45 países. Chegou a escrever a história do futebol brasileiro em três livros: "Meus Amigos...", "Os Subterrâneos do Futebol" e "Futebol e Outras Histórias". Saldanha faleceu aos 73 anos, em 12 de julho de 1990.

Veja outra foto de João Saldanha

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