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Joe Louis


Pugilista norte-americano, campeão mundial em todos os pesos durante doze anos e ídolo nacional por ter nocauteado no primeiro assalto um adversário alemão, considerado pelos nazistas como o legítimo representante da raça ariana. Max Schmelling, nome do herói do III Reich, chegou a reconhecer seu talento no ringue: "Ele foi, apenas, um gênio do box". Em um período em que lhes era negado o poder econômico e político nos Estados Unidos, os negros nem sequer contavam com oportunidades para participar significativamente nos esportes. Em 1935, um treinador promoveu Joe Louis, com o slogan de "embaixador de sua raça". E depois de vencer dois fortes adversários brancos, se transformou na sensação dos meios de comunicação, no herói dos bairros pobres de maioria negra. Durante e depois da Segunda Guerra Mundial, apesar dos prejuízos, foi aceito pelos norte-americanos de todas as classes sociais.

Louis nasceu numa choupana de colonos à beira duma poeirenta estrada entre Lafayette e Cusseta, no Alabama, onde seus pais trabalhavam numa fazenda algodoeira. Era a época em que se andava sempre descalço e guardava-se as roupas melhores para o domingo. Atraído pela industrialização em Detroit, seu padrasto muda-se para lá com a família e Louis começa a ganhar algum dinheiro entregando gelo depois da aula. Começa a trabalhar como marceneiro e, aos 16 anos interessa-se pelo box. Obrigado a ter aulas de violino pela família, passa a faltar no conservatório e, com o dinheiro economizado, paga suas contribuições de amador. Depois, arranja um emprego na Ford e, em fins de 1932, consegue seu primeiro encontro de amadores, ganhando o campeonato da categoria dos meio-pesados, na classe dos novatos, em 1934. Louis tornou-se profissional aos 20 anos, após 50 vitórias como amador. Conquistou o título mundial em 1939 e, de 71 lutas, venceu 68, dos quais 54 por nocaute.

E ganhou muito dinheiro. Chegou a comprar 100 ternos feitos sob medida, automóveis de luxo, casas em Detroit para os irmãos, prédios de apartamento em Chicago e restaurantes em ambas as cidades. Um dia, quando prestava o serviço militar, Louis estava sentado em um banco de ônibus na estação de Campo Sibert, Alabama, quando se aproximou um soldado da polícia militar e disse que ele deveria sentar-se no banco de trás. "O pessoal de cor senta lá atrás", disse ele. Diante da recusa de Louis, o policial chamou o superior e levaram-no para a prisão do quartel, onde o capitão lhe passou um pito. Disse ele: "Quando um soldado da polícia militar disser a você que faça uma coisa, você obedeça, se não quiser meter-se em encrenca". Louis respondeu: "Meu capitão, eu sou um soldado como qualquer outro soldado norte-americano e não quero ser empurrado para um banco de trás só porque sou negro". O caso chegou ao conhecimento do General Inspetor, em Washington, e deu origem a uma ordem acabando, no país inteiro, com a segregação de raças nos ônibus militares. Louis terminou seus dias como porteiro do Caesar Palace Hotel em Las Vegas, no completo ostracismo. A seu respeito, Muhamad Ali/Cassius Clay comentou: "Podem observar. Por trás de todo pugilista negro, que se mata no ringue, há sempre um empresário branco que o explora". Joe Louis faleceu aos 66 anos, em 12 de abril de 1981.

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