Artista nascido na cidade alagoana de Palmeira dos Índios, chegou a participar de 85 filmes nacionais e tornou-se um dos símbolos do cinema novo. Antes, foi oficial da Marinha por 25 anos em sua cidade natal. Sem formação de ator, sua carreira artística começou em 1961, aos 43 anos. Soares já tinha se aposentado como marinheiro e se dedicava ao teatro amador e ao circo da cidade, no qual era um palhaço, quando o cineasta Nélson Pereira dos Santos o conheceu e o convidou para fazer o filme Vidas secas, a bem-sucedida versão do romance de Graciliano Ramos para as telas. Ele costumava dizer que Nélson Pereira o reconduziu à vida ao incorporá-lo ao elenco do filme.
Soares logo despertou a atenção da crítica, trabalhando com diretores como Glauber Rocha e Cacá Diegues, entre outros. Espontâneo e instintivo, seu tipo físico de nordestino se ajustava ao perfil cênico do homem do interior, simples, meio rude, meio fechado, pobre e digno ou, também, rico e cruel. Em ambas as composições, costumava se sair bem e valorizava seus personagens.
Na televisão, participou de diversas telenovelas, entre elas, BetoRockfeller, Renascer, O Todo Poderoso (Bandeirantes, 1979) Paraíso, escrita por Benedito Ruy Barbosa para a Rede Globo. Com seu jeito calmo, de fala arrastada, viveu o papel de Antero Godói, contracenando ao lado de Eloísa Mafalda. Soares sentia-se perfeitamente à vontade, numa caracterização que parecia inerente à sua própria pessoa. Sua última atuação foi em As Pupilas do Senhor Reitor, pelo SBT.