Em 1960, José Vasconcelos gravou um disco pela Odeon, "Eu Sou o Espetáculo", sendo provavelmente o primeiro humorista a vender mais de 100 mil cópias de um LP do gênero, além de que esse disco tinha duração de 55 minutos, sendo o mais longo LP de humor já feito no país. Seu sucesso abriu caminho para que outras gravadoras investissem no segmento, mas o próprio Vasconcelos não conseguiu repetir o êxito de sua primeira gravação.
Esse foi o primeiro disco (provavelmente) do gênero de humor trazendo do teatro e do rádio o humor de José Vasconcelos. Esse disco é extremamente engraçado e traz cinco dados interessantes: ele é produzido por Aloysio de Oliveira (o mesmo que logo depois formou a gravadora "Elenco", grande responsável por muitos lançamentos de Bossa Nova), vendeu mais de 100 mil cópias, não tem fade in nem fade out, é abruptamente cortado em cada lado e ainda mais espantoso é o tempo total do disco: 55 minutos, coisa incomum na época, já que a maioria dos discos durava apenas entre 30 e 35 minutos. Outro dado importante: realmente o disco é gravado ao vivo com público!
Em 1964, ao retornar de uma viagem a Los Angeles, José Vasconcelos criou um projeto divertido que acabou não se concretizando: a Vasconcelândia. O projeto intencionava criar um parque de diversões semelhante à Disneylândia, em Guarulhos, São Paulo, mas o sonho não saiu do papel. A "Vasconcelândia" era para ser parque temático numa área de um milhão de metros quadrados. O comediante investiu todos os recursos que obteve ao longo da vida artística, sem obter nenhum apoio oficial. No entanto, o projeto fracassou e quase o levou à falência.
Vasconcelos continuou trabalhando na TV, em papéis como o do gago "Rui Barbosa Sa-Silva" na Escolinha do Professor Raimundo, além de se apresentar em casas de espetáculos por todo o Brasil. José Vasconcellos era considerado um dos maiores nomes do humor brasileiro e o pioneiro mundial no gênero "stand up comedy". Em 2009 foi lançado em DVD o documentário "Ele é o Espetáculo", do cineasta Jean Carlo Szepilovski, uma homenagem ao conjunto de sua obra. Narrado pelo próprio humorista, apresentava depoimentos de Jô Soares, Chico Anysio e trecho de filmes e programas de rádio e TV em que atuou durante a carreira.
Seu último personagem no cinema foi Barbosa, no filme "Bom Dia, Eternidade" (2009). Nos últimos anos de sua vida esteve afastado da TV devido ao mal de Alzheimer, passando a morar em sua casa na cidade de Itatiba, interior de São Paulo. O humorista faleceu aos 85 anos, em 11 de outubro de 2011.